Casa de condomínio em Valinhos tem um padrão que eu vejo toda semana: sobrado de três ou quatro suítes, sala integrada, área gourmet com piscina no fundo do lote. Internet de fibra boa, 500 mega, 1 giga. E mesmo assim a suíte do fundo trava a chamada de vídeo, a TV da área gourmet não abre o streaming e o interruptor inteligente da escada vive "offline". Não é a operadora. É o jeito que a rede foi montada dentro da casa.
O roteador ficou onde a fibra chegou
O técnico da operadora instala o roteador no ponto onde a fibra entra na casa. Em casa de condomínio isso costuma ser a garagem, o hall de entrada ou um canto da sala perto do quadro. É o pior lugar possível: na ponta da casa, no térreo, longe dos quartos e longe do fundo do lote.
A primeira coisa que eu faço é decidir onde fica o centro da rede: um ponto mais no meio da casa, de preferência um armário ou closet ventilado, onde chega o cabo da operadora e de onde sai um cabo pra cada ponto de acesso. O roteador da operadora vira só a porta de entrada (de preferência em modo bridge) e quem distribui o Wi-Fi é o sistema de pontos de acesso.
Mesh cabeado x mesh sem fio: a diferença que ninguém explica
Quase todo mundo resolve comprando um kit Wi-Fi mesh. É um bom começo, mas tem um detalhe que muda tudo: como os pontos conversam entre si.
Mesh sem fio: os pontos se falam pelo ar. Cada salto divide a banda, e entre o térreo e o andar de cima tem uma laje de concreto que come boa parte do sinal. Resultado: o ponto do andar de cima mostra sinal cheio no celular e entrega uma fração da internet.
Mesh cabeado (backhaul por cabo): cada ponto recebe a internet por cabo de rede, e o Wi-Fi fica só pra falar com o celular. Mesma marca, mesmo nome de rede, você anda da suíte até a piscina sem cair, mas sem perder velocidade a cada parede.
Em sobrado de condomínio quase sempre dá pra passar cabo sem quebrar parede: pela tubulação de telefone ou TV que ninguém usa mais, pela descida do ar-condicionado, pelo forro do andar de cima. A regra que eu sigo é pelo menos um ponto cabeado por andar, de preferência no teto do corredor, que é o lugar que enxerga mais cômodos.
Área gourmet e piscina: o fundo do lote
O lote de condomínio em Valinhos costuma ficar entre 450 e 1.000 m². A área gourmet fica a 15 ou 30 metros da sala, separada por porta de vidro, muitas vezes com película. Película metalizada e vidro laminado refletem o Wi-Fi: dentro da sala é perfeito, passou da porta, some.
A solução é levar a rede até lá: um access point externo PoE (alimentado pelo próprio cabo de rede, sem tomada) no forro ou no beiral do gourmet, com um cabo Cat6 em eletroduto até o centro da rede. Ele cobre a churrasqueira, a piscina e o gramado do fundo, e ainda atende a TV do gourmet, a bomba da piscina e a iluminação externa se forem automatizadas. Se o seu terreno for bem maior, com edícula e casa de caseiro, o caminho é outro e está em Wi-Fi em lote grande e casa de campo.
Qual comprar pra sua casa de condomínio
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Vizinho colado: o 2,4 GHz congestionado
Em condomínio as casas ficam a 3 ou 5 metros uma da outra. Abra a lista de redes no celular na sua suíte e conte: é comum aparecerem 20, 30 redes de vizinho. O 5 GHz aguenta bem, mas o 2,4 GHz fica entupido, e é justamente a faixa que interruptor, tomada, sensor e lâmpada inteligente usam. Daí o "dispositivo offline" que aparece de vez em quando, sem motivo aparente.
O que funciona: canal do 2,4 GHz fixo (1, 6 ou 11) com largura de 20 MHz, potência mais baixa e mais pontos (em vez de um roteador gritando alto), celular e TV no 5 GHz, e os dispositivos de automação numa rede separada só pra eles. Se algum aparelho não conecta de jeito nenhum, o passo a passo está em dispositivo inteligente não conecta no Wi-Fi 2,4 GHz.
O que o condomínio deixa instalar
Ponto de acesso interno e cabo dentro da casa não precisam de autorização de ninguém. O que pode esbarrar no regulamento é o que aparece na fachada: antena, rádio apontado pra outra construção, equipamento grande no telhado. Um access point externo branco e pequeno, no forro ou no beiral da área gourmet, nos fundos, normalmente passa sem problema. Na dúvida, mande foto e modelo pra administração antes. Se tiver obra envolvida (abrir piso pra eletroduto até o gourmet), vale o que está em regras de obra em condomínio fechado.
Na obra ou com a casa pronta
Casa em obra: é a hora de deixar cabo Cat6 do centro da rede até o teto de cada andar, até a sala de TV e até a área gourmet, mais um tubo vazio de reserva. Custa pouco e evita canaleta depois. O resto da lista está no checklist de infraestrutura antes de fechar a parede.
Casa pronta: aproveito a tubulação existente, e onde não tem, uso canaleta discreta no rodapé ou o forro. Se nenhum cabo passa até o andar de cima, um mesh sem fio com um único salto (térreo para o corredor de cima, sem atravessar mais parede) é aceitável. Dois saltos já não é.
Caso típico: sobrado em condomínio de Valinhos
Três suítes em cima, sala integrada embaixo, área gourmet com piscina a uns 22 metros da sala. Antes: roteador da operadora na garagem e dois repetidores de tomada, cada um com um nome de rede. Depois: centro da rede no armário embaixo da escada, um ponto de teto por andar ligado por cabo (o cabo de cima sobe pela tubulação antiga de TV), um access point externo no forro do gourmet e rede de automação separada com canal fixo. Os repetidores vão embora e o interruptor da escada para de ficar "offline".
Atendemos casas assim em Valinhos e em toda a região de Campinas, com o Wi-Fi pensado junto com a automação desde o começo.
Quanto custa
Sobrado de condomínio, 3 ou 4 pontos cabeados + 1 externo no gourmet, cabo passável pela tubulação existente: na faixa de R$ 3.500 a R$ 7.000 instalado. Se precisar abrir caminho novo, canaleta em vários cômodos ou montar rack, sobe. Kit mesh sem fio comprado sozinho: R$ 1.500 a R$ 3.000 só de equipamento, e funciona bem em casa térrea; em sobrado com laje, entrega menos do que promete na caixa.
Em casa de condomínio, repetidor de tomada é o que mais vejo e o que menos resolve. Ele repete o sinal que já chega fraco, divide a banda e cria mais um nome de rede pra família escolher errado. Com um cabo por andar e um ponto no gourmet, o problema acaba de vez. Se o orçamento só dá pra uma coisa, gaste no cabo, não no equipamento mais caro.
Perguntas frequentes
Por que o Wi-Fi não chega no andar de cima do sobrado?
Porque a laje de concreto entre os andares come boa parte do sinal, e o roteador da operadora costuma ficar onde a fibra entrou, perto da garagem ou da sala. O certo é ter pelo menos um ponto de acesso por andar, ligado por cabo, em vez de depender de um roteador só ou de repetidor de tomada.
Mesh cabeado ou mesh sem fio: qual a diferença?
No mesh sem fio, os pontos conversam entre si pelo ar e cada salto perde banda, principalmente atravessando laje. No mesh cabeado, cada ponto recebe a internet por cabo de rede e o Wi-Fi fica só pro celular. Em sobrado de condomínio, sempre que dá pra passar um cabo por andar, o cabeado ganha com folga.
Como levar Wi-Fi para a área gourmet e a piscina?
Com um access point externo no beiral ou no forro da área gourmet, alimentado pelo próprio cabo de rede (PoE). Em lote de condomínio a distância costuma ser de 15 a 30 metros, então um cabo Cat6 em eletroduto resolve. Repetidor dentro da sala não atravessa porta de vidro com película metalizada.
Por que os dispositivos de automação caem mais em condomínio?
Porque as casas ficam coladas e o 2,4 GHz, a faixa que interruptor, tomada e sensor usam, fica congestionado com dezenas de redes dos vizinhos. Ajuda fixar o canal (1, 6 ou 11, largura de 20 MHz), baixar a potência e pôr mais pontos, deixar o celular no 5 GHz e criar uma rede separada só pra automação.
Quanto custa fazer o Wi-Fi de uma casa de condomínio?
Sobrado de condomínio com 3 ou 4 pontos de acesso cabeados mais 1 externo na área gourmet fica na faixa de R$ 3.500 a R$ 7.000 instalado, com cabo passável pela tubulação que já existe. Se precisar abrir caminho novo, canaleta ou rack, sobe. Kit mesh sem fio comprado sozinho sai de R$ 1.500 a R$ 3.000 só de equipamento.
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