Infraestrutura de automação antes de fechar a parede: o checklist por fase

Automação residencial é quase toda decidida antes do reboco. O interruptor, a central e o som você escolhe depois, com calma. O que não dá pra escolher depois é o que fica dentro da parede: fio neutro, tamanho da caixa, eletroduto de reserva, cabo de rede e cabo de som. Esquecer um desses na obra significa quebrar parede pintada ou viver com gambiarra. Abaixo, o checklist que eu passo pro eletricista e pro engenheiro da obra, na ordem em que cada coisa precisa acontecer.

Fase 1 — Projeto: decidir os pontos antes do primeiro tijolo

Antes da alvenaria subir, alguém precisa marcar na planta onde vão ficar: os interruptores (e quantas teclas cada um), os pontos de TV, os access points do Wi-Fi, as caixas de som de embutir, os motores de cortina, o painel de controle e o quadro de rede. Não precisa escolher marca. Precisa escolher posição.

Se a casa tem projeto elétrico, essas informações entram nele. Se não tem, vale ler quando a automação precisa de projeto elétrico. Em condomínio fechado, essa planta ainda tem que bater com o que foi aprovado pela associação; falo disso em automação residencial em condomínio fechado.

Fase 2 — Alvenaria e laje: eletroduto, caixa e reserva

Aqui se resolve quase tudo. Os itens, em ordem de importância:

1. Neutro em toda caixa de interruptor. Instalação comum leva só fase e retorno até o interruptor. Interruptor inteligente bom precisa do neutro ali. Custa poucos metros de fio a mais por ponto na obra; depois, é passar fio novo em eletroduto já ocupado, quando passa.

2. Caixa 4x4 onde tiver mais de duas teclas. Caixa 4x2 aceita o interruptor inteligente comum. Ponto com três ou mais circuitos, ou onde pode entrar um painel, pede 4x4. Comparo as duas em caixa 4x4 ou 4x2 para interruptor inteligente.

3. Eletroduto de sinal separado da força. Rede, som e HDMI não dividem eletroduto com energia. Em cada ponto de TV chegam dois: um de força, um de sinal (1", ou 25 mm, dá folga pra cabo futuro).

4. Um eletroduto vazio de reserva por ambiente principal. Saindo da sala, da suíte master e do escritório até o forro ou até o quadro de rede, com arame-guia dentro. É o item mais barato da lista e o que mais salva projeto anos depois.

5. Ponto de energia no forro onde vão os motores de cortina e persiana, ao lado de onde fica o trilho.

Qual comprar pra deixar a obra pronta

Indicações com link de afiliado: você paga o mesmo preço e ajuda a manter o blog. Indico pelo que entrega melhor, não por comissão.

  • Rede da casa inteira: caixa de cabo de rede Cat6 de 305 m — uma caixa costuma cobrir a casa toda; prefira cobre puro, não CCA — ver na Amazon →
  • Som de embutir: cabo paralelo pra caixa de som (2x1,5 mm², ou 2x2,5 mm² em trecho longo) — um lance por caixa até onde fica o amplificador — ver na Amazon →
  • Pra puxar cabo depois: passa-fio (guia de aço ou nylon) — deixe o eletroduto de reserva com arame dentro e tenha um desses em casa — ver na Amazon →

Fase 3 — Antes do reboco: passar os cabos de sinal

Com o eletroduto pronto e antes do reboco (ou, no mínimo, antes do gesso), passe o que é de sinal:

Cabo de rede Cat6 até cada ponto de TV, escritório e access point. Tudo volta pra um ponto só, o quadro de rede. Uma caixa de 305 m, na faixa de R$ 1.500, normalmente cobre a casa; conectores e montagem são cobrados por ponto. Detalho a organização em cabeamento estruturado residencial.

Cabo de som de cada caixa de embutir até o lugar do amplificador. Conte uns R$ 90 por ambiente sonorizado só em cabo. A bitola certa depende da distância; explico em qual cabo usar para caixa de som embutida.

Etiquete as duas pontas de cada cabo. Parece detalhe. Na hora de ligar, sem etiqueta, alguém passa uma tarde testando cabo por cabo.

Fase 4 — Quadro elétrico e quadro de rede

Quadro elétrico com uns 30% de espaço livre, um circuito por ambiente de iluminação, DR e DPS de verdade. Isso tem post próprio: quadro elétrico para automação residencial.

Quadro de rede em lugar ventilado e acessível (nunca dentro de armário fechado sem ventilação), com tomada dedicada e espaço pro roteador, o switch e a central de automação. Se o som for distribuído, o amplificador costuma morar perto dele, e é pra lá que vão os cabos de som.

Fase 5 — Antes do forro de gesso e da pintura

Última chance barata. Confira com o forro ainda aberto:

As caixas de som de embutir têm o recorte marcado e o cabo esperando. O access point tem Cat6 chegando no ponto do forro. Os motores de cortina têm energia ao lado do trilho. O eletroduto de reserva tem arame dentro e sai num lugar que dá pra acessar. E alguém tirou foto de cada parede aberta com trena aparecendo. Essas fotos valem ouro no dia em que alguém for furar a parede pra pendurar um quadro.

Os três erros que mais encontro

Rede e som no eletroduto da energia. Dá ruído no som e fere a norma. Só se resolve abrindo de novo.

Nenhum cabo até o forro. A casa fica com o roteador num canto, Wi-Fi ruim no resto, e o access point acaba pendurado com cabo aparente.

Neutro esquecido "porque o interruptor é comum". Quem decide automatizar dois anos depois descobre que metade dos pontos não tem neutro.

Quanto custa deixar pronto em São Paulo

Numa casa de 250 a 400 m², a infraestrutura em si (eletroduto extra, caixas 4x4, Cat6, cabo de som, quadro com folga) costuma somar R$ 6 a 15 mil entre material e mão de obra do eletricista. Os equipamentos de automação são outra conta, que pode vir agora ou daqui a anos. O mesmo serviço com a casa pronta facilmente custa o dobro, mais gesso e pintura. A comparação de cenários está em automação em reforma ou obra nova.

Acompanhamos essa fase de obra na capital e no interior. Em Itu, por exemplo, veja a página do Campos de Santo Antônio II.

Opinião direta

Se o orçamento da obra apertou, corte o equipamento, não a infraestrutura. Interruptor inteligente, som e cortina entram em qualquer ano. Neutro, eletroduto de reserva e cabo de rede só entram barato uma vez: antes do reboco. Prefiro um cliente com a parede pronta e nenhum dispositivo do que um com dispositivo caro e parede sem caminho.

Perguntas frequentes

O que precisa estar pronto antes de rebocar a parede para ter automação?

Eletroduto até cada ponto de interruptor, com fio neutro chegando na caixa; caixa 4x4 nos pontos com mais de duas teclas; tubulação separada de rede e de som até os pontos de TV, access point e quadro de rede; e um eletroduto vazio de reserva em cada ambiente principal. Depois do reboco, cada item desses vira quebra-quebra.

Preciso passar cabo de rede em todos os cômodos?

Não em todos, mas em todos os pontos de TV, no escritório, em cada access point (normalmente forro do corredor e da área social) e até o quadro de rede. Uma caixa de Cat6 de 305 m, na faixa de R$ 1.500, costuma cobrir a casa inteira. O que custa caro é tentar passar depois, com a parede pintada.

Dá para deixar a infraestrutura pronta e automatizar só depois?

Dá, e é a melhor decisão pra quem não tem orçamento pra tudo agora. Neutro na caixa, eletroduto de reserva, Cat6 e cabo de som custam pouco na obra. Com isso feito, os interruptores, o som e as cortinas entram anos depois sem abrir parede.

Cabo de som e cabo de rede podem passar no mesmo eletroduto que a energia?

Não. Cabo de sinal (rede, som, HDMI) vai em eletroduto próprio, separado do circuito de energia, pra evitar ruído e porque a norma elétrica não mistura os dois. Na prática são dois eletrodutos chegando no mesmo ponto: um de força, um de sinal.

Quanto custa deixar a infraestrutura de automação pronta na obra?

Numa casa de 250 a 400 m² em São Paulo, a infraestrutura em si (eletroduto extra, caixas 4x4, Cat6, cabo de som, quadro com folga) costuma somar de R$ 6 a 15 mil entre material e mão de obra do eletricista. Fazer o mesmo depois da parede pronta facilmente custa o dobro, mais a pintura.

Sua obra está na alvenaria ou no reboco?

A gente marca os pontos com você e passa o checklist pro seu eletricista antes de fechar a parede. Visita técnica gratuita em São Paulo.

Solicitar orçamento WhatsApp · (11) 97187-3887